domingo, fevereiro 25, 2007

Assunto feminino



Acabei de acordar por causa do bendito alarme que dispara ás 5 da manhã. Eu costumava amar os começos de manhãs e tinha a mania, desde pequena, de acordar cedinho pra sentir o aroma da manhã e ver o sol nascer, assim como a vida na cidade, diante da minha varanda. Aquele aroma da manhã que mescla algo entre orvalho, chuva e café sempre me sensibilizou e talvez fosse um dos meus maiores prazeres durante o dia inteiro.

Ela vira pra mim, no outro lado da cama, e reclama que está com dor nas costas e me fala que sou a garota mais bonita que ela já viu em toda sua vida. É a primeira vez que me relaciono com uma garota, eu sempre preferi a companhia das garotas. Nós precisamos nos arrumar rápido pra ninguém da casa suspeitar que existe mais alguém dentro do quarto a não ser eu. Meus pais não a conhecem ainda. Talvez, no futuro, eu possa apresentá-los como minha melhor amiga mas isso eu tenho receio deles ficarem enfezando pela tatuagem no ombro dela e seu cabelo vermelho desbotado. Sabe como é, família tradicional que coloca seus filhos sufocados debaixo do braço.

Ela precisa voltar pra casa. Não necessariamente uma casa, mas um cortiço no centro da cidade. Não fosse sua colega com seus clientes, estaríamos mais a vontade na cama do quarto que ela divide lá com a outra garota. A gente faz o que pode.

Fecho a porta para ela e de longe jogamos beijinhos. Nesse momento minha mãe chega pela mesma porta e depara com a cena. Não sei o que a minha mãe pensou no momento, mas convidou-a para comer uns pães de queijo quentinhos direto da padaria que ela havia chegado no exato momento. Não sei o que deu em mim, nem na minha mãe, nem na minha querida, mas resolvi interpretar a cena com uma melhor naturalidade, apesar do que poderia vir a acontecer.

"Mãe, essa é...", "Eu já sei do que se trata... E não quero saber mais nada, então comam e depois se despeçam". No momento eu gelei com a resposta brusca vinda da minha mãe, até perdi a fome. Nós três perdemos a fome, aliás, e no mesmo momento todas se levantaram pra cuidar da vida.

Quando fechei a porta da casa, fui direto ao meu quarto pelo sentimento de culpa e vergonha pelo que tinha acontecido. Devia ter trancado a porta, mas não queria pensar em nada além de enterrar minha cabeça no travesseiro e ficar lá até aquilo tudo ser um mero pesadelo. De repente a porta se abre devagar e com um susto me levanto pra ver o que era. Minha mãe, encostada na porta me encarando, e depois disso eu voltei ao meu estado de vergonha.

Sua mão fria e nervosa encosta no meu ombro, tira o travesseiro da minha cabeça e pede com calma pra olhar nos seus olhos. Já estava esperando um grande sermão daquelas ladainhas preconceituosas que geralmente acontece quando gente mais velha reage a essa "nova" postura. Ela se desculpa por ter lido meu diário, quando estava jogado numa página proibida na minha cama e me pergunta se ela tá me tratando bem. Eu digo que sim, e mesmo com raiva pela invasão de privacidade, deixo que ela continue a falar. Ela pega pelos meus braços, me dá um abraço forte e diz "filha, filha, não vou deixar que você tenha a mesma infelicidade da qual tive, e ainda por cima te fiz infeliz por ter tirado seu pai da nossa casa. Me perdoe, mas ele não foi o amor da minha vida. Nenhum homem chegou na minha intimidade, apenas uma mulher. Espero que ela cuide de você como eu cuido de você".

14 comentários:

Fells disse...

HEHEH LUKE.. A mãe da menina era judo.. q coisa nova. adorei hein...
gosto das suas incursões literárias

Daniel Duende disse...

Ducaralho! :D

The Master disse...

Mais realista impossível! Adorei o texto

Thiago Badaró disse...

vo ver hehehe paragreafo por pragrafo.
marcela c gostya de sol de manha e cafe e acorda as 5 claro namorada c num tem ams namorado sim . mas c acorda as 5!!! tbm igual a personagem? XD

familia radiçional bem a sua num e muito certo ^^


lol a casador praceiro sempre parece melhor

ou tipo a menina com dor nas costas ela tem um coportamento levemente masculino ~_~

que elas jogando bejinhos hehe ate vi a cena hehehehe :D

hora d aparalizia total XP


tadinha culapda no fim das contas eu ate hoje fico impresionado de mulher num troca homem por outra mulher afinal homem fede e peludo porco etc >.<

doido a mae tbme ja gostou de uma gata mas tipo homem so deve servir pra isso mesmo gera filho agora ainda bem q tem clonagam modiicada -_-"

Manu disse...

Tá lindo!!

O texto tá demais, o blog inteiro aliás

huhuuhh

Wagner disse...

gostei do seu blog. Será que posso te add no meus links?

Casa_Nova disse...

muito, muito bom. se eu soubesse comos e faz, também adicionaria aos favoritos. Vou pedir pro Don Juan, que entenden desssas coisas.

A.J. MARTIN disse...

muito bom o texto! parabéns!

garotinho da somalia disse...

Luke
realmente eu fico abismado com teus contos
meu caro amigo você têm o dom
você sabe utilizar da captura de momentos que nós(leitores) imaginamos com perfeição
a sua linha de tempo e de raciocinio é praticamente perfeita
amo amo amo amo amo amo ler o que vc escreve
tente escrever mais contos
já que estes cada vez mais me envolvem
agora deicha de formalidades de minha parte
AMIGOOOOOOOOOOOOO AHAZAAAAAAAAAAAA BE
TE AMOOOOOO

Teresa disse...

Obrigada pelo comment lá no blog.

volte sempre.

ah, vc escreve bem!

=*

dimmyfutilidades disse...

Aquela parte dos pães de queijo foi bem Fells... só no final que vi que o texto era do Luke... Se inspirou na Fells, Luke? Bessos!

denise disse...

queria q minha mae fosse assim

Amélie disse...

Olá...Lembra de mim? Sua migucha de Sampa? Pois é...precisamos conversar. Amei o texto das bolachas hein? Saudades mil...
Bjoquinhas

Robson Perdigão disse...

Seus textos são completamente adversos a muita coisa que já li. E gosto disso, não gosto do gosto, mas sim do estrago.
Sua mãe me supreendeu, e acredito que não foi só a mim.

Bom, agora que já conheço o espaço vou visitar sempre! Beijos guria amiga de Manu!
;** =]