sexta-feira, abril 20, 2007

Alucinado controle remoto


Existem dois esportes nacionais: futebol e falar mal do Brasil.
Um dos Judas preferido é a TV Brasileira, mas eu digo a vocês, Televisão aberta Brasileira tem qualidade sim, senhores, vocês que não querem é admitir, devem achar muito mais interessante falar mal mesmo.

Então preparei meu roteirinho caso um dia você estiver decidido a mudar de opinião sobre ver TV aberta:
De segunda a sexta, entre 8:30 da manhã até as 11:10 confira a ótima programação infantil na TV cultura que é reprisada a tarde as 14 : 00 , tem "Castelo RA-TIM-BUM", "Pingu", "Cocoricó" e uma nova versão do "Glub-Glub", que é uma gracinha. As vezes passa uns videoclipes do Paulo Tatit, não pode haver músicas mais gostosas.
Quero destacar dois: "Dango Balango" que é o 1° programa infantil totalmente produzido em Minas Gerais e "Um menino muito maluquinho" na semana as 14:00 e Domingo 13:00 e 18:30.

A atração é dirigida por Cao Hamburguer, do filme "O ano em que meus pais saíram de férias" e tem Maria Mariana ( confissões de adolescente) no elenco
Notem como a "Cultura" é mesmo muito democrática, percebeu que existem crianças que estudam no matutino e no vespertino. Acho lindo isso!
Os infantis da "TVE", mais clássico e doces do que os da Globo são indicados para crianças menores. Mas Bob Esponja é o máximo.
E o programa da Xuxa tá dando até dicas de leitura, viu? Quem sabe não virá aí uma geração que goste de ler. Não é nenhuma inutilidade não.
Depois, pegue o "Sem Censura" as 16:00. As vezes os convidados são muito chatos, mas sempre se aprende alguma coisa, sem assunto você não fica nunca mais.
Prefere um filminho? Sexta Feira as 22:40 tem "Mostra de cinema na cultura" e "Cine Brasil" no sábado a noite. Altamente recomendado é Cadernos de cinema com Vera Barroso: um filme e um debate, que deleite.
Segunda-feira assista "Intercine Brasil" na Rede Globo, pra ver que cinema feito no Brasil é muito, mas, muito mais que palavrão. Mas só na segunda, nos outros dias a escolha os filmes é sempre péssima.
O Márcio Garcia Apresenta um programa de auditório na Record que tem um quadro que eu achei sensacional: a pessoa tem que descobrir entre 3 homens quem é gay, solteiro ou casado.
A vida Brasileira pode ganhar muito com isso, sacam? Homossexualidade ser tratada de uma forma descontraída numa plataforma de programa tão popular pode causar um estrondo no fantasma do preconceito.
As novelas estão intrínsecas na nossa cultura, inclusive as mexicanas e agora estão mais democráticas também, não só a toda - poderosa faz novelas de qualidade. Conheço pessoas que diziam que novela era a maior bobeira do mundo e estão se deliciando com a "Vidas Opostas". Ela é mesmo a princesinha dos sociólogos, policiólogos e assistentes sociais.

sexta-feira, abril 06, 2007

Sonharam meu sonho



O documentário "Pro Dia Nascer Feliz" de João Jardim trata das adversidades do cotidiano escolar adolecente no Brasil.
Eu queria fazer esse documentário, sonho com ele desde os dezesseis anos. Tinha até nome: "Preda contra o Vrido", não foi realizado porque faltava tudo: a câmera, luz e a ação.
O senhor João tinha tudo isso e fez.
O meu documentário, acho até que ia ser complicado fazer porque eu ia precisar mesmo de uma equipe grande de meninos que estivessem na escola e iam filmar tudo, as aulas zoneadas e todas essas atrocidades que acontecem.
Porque o que eu queria era retratar a barbárie colegial do todo-dia
Gente, eu juro que já vi uma garota arrancar o lábio da outra em briga de escola, um outro ameaçar rachar a cabeça de uma menina que deu um fora nele com uma pá. Comigo uma vez, jogaram um tijolo no meu pé, claro que a garota era minha inimiga e merecia eu ter esfregado a cara dela no muro de chapisco depois.
Casos de alcoolismo e overdose também já vi muitos.
Era isso que eu queria mostrar.
Mas como eu ainda tenho muitos sonhos não vou ficar dando uma de Madalena recalcada.
Então, por favor : Vá ao cinema e faça alguma coisa pelo cinema nacional. Se puder, faça tudo!!

quarta-feira, abril 04, 2007

You Know You're Brazilian When...



A revista MAD na década de 80 costumava publicar uma seção chamada "Você sabe que está em "algum lugar" quando..." e desatava a enumerar as coisas típicas de cada lugar. Sempre de um gosto terrível e divertidissimas.
Quando eles eu comprei num sebo um exemplar que continha "Você sabe que está na Bahia quando..." foi a glória pra mim, eu ria de rolar no chão, sério, quase passei mal.
Tem uma ordinária sobre Minas também mas prefiro não comentar. É muito mentirosa (hehehehe.. que imparcial não?)
Agora a pouco eu estava navegando, assim sem ter o que fazer quando me deparei com a frase: "You Know You're Brazilian When..." Nossa, eu pirei na hora. pensei: Meu Deus! devo ler ou não ?
Ai gente, é impagável... eu sou uma perfeita Brasileira e vocês?

VOCÊ SABE QUE É BRASILEIRO QUANDO...

você não sabe o que são contas para pagar até se mudar para os EUA. (Imagina né?)

Você prefere beber guaraná do que Coca-cola. ( Humm, mas é claro, pede a coca-cola pra mostrar a planta da coca. Pede)

Se você marca um encontro as 1:00 e não aparece antes 2:30 ou 3:00.

Você sabe quem é a Xuxa e o Pelé.

Sua família se encontra no todo santo domingo na casa da vovó....mesmo se você vê seus parentes todo dia. ( Domingo é sagrado

Você sabe nomear 30 novelas e 10000 atores.

Churrasco significa picanha, asinha de frango, porco, farofa, molho and cerveja.

Você é a pessoa mais barulhenta da sala.

Você tem uma bandeira Brasileira tremulando no retrovisor do seu carro. (Isso é coisa de Americano na verdade)

Você vai visitar seus parentes no Brasil e nunca se esquece de levar todas suas coisas na mala, leva também presentes para sua família toda, o cachorro, o vizinho, pra não dizer das oupas usadas que você acha que alguém vai precisar.

Você mora na Flórida, Nova Yorque, Nova Jersey ou Massachusetts. (??????)

Uma mulher ideal é aquela sem peitos e com bundão. ( mentira!!!!)

Você sabe dançar.

Você só sabe fazer piada de português.

Você leva futebol muito a sério.

você vai a uma festa de aniversario e não volta pra casa sem levar um pedacinho do bolo

você sabe o que é capoeira.

Você estudou história de quase todos os países.

Você come feijão com arroz pelo menos 7 dias por semana.

Seu café da manhã é: café com leite, pão com manteiga, e um pedaço de bolo. ( Nossa que fartura.. deve ser na casa de rico que é assim)

Todo mundo acha que você é tudo. Menos Brasileiro.

Você sabe quem são Os Trapalhoes, Turma da Monica, Zico, Caetano Veloso, Tom Jobim, Elis Regina, Ronaldinho, Jo Soares, Cazuza, Gilberto Gil, Silvio Santos, Roberto Carlos, Ayrton Senna, e Carmem Miranda .

você é tão acostumado com corrupção que isso nem te choca mais.

você sabe jogar dominó e baralho.

você não liga pra cor. Só quando você vem pros EUA, você percebe que racismo existe.

Você tem bom gosto pra roupas. ( Acho tendência)

Você sabe jogar volleyball e handball.

você está sempre tirando fotos em todos os lugares que vai. ( fotos nossas é claro, fotos o lugar quem tira é japonês)

você compra bebida alcóolica sem identidade.

você sabe festejar, e se a festa acabou antes da cinco da manhã...não foi festa!

Qualquer feriado...oficial ou não, é uma desculpa pra ficar em casa e tirar uma semana de folga.

Você se arruma todo pra ir ao supermercado.

você passa o dia inteirinho na praia.

E você é muito gente boa!!!!!!

quinta-feira, março 29, 2007

VIDA DE CÃO - Parte 1




http://brasilcruel.blogger.com é um Blog que posta periodicamente noticias sobre crimes cometidos no Brasil, a maioria terrivel, claro. Mas sempre tem aqueles que serve pra contar no botequim.
Selecionei os que eu achei mais interessantes e meti uns comentários pelos meio também
(pegou mal?)

Valentão vai de fraldão para a delegacia - Jornal Hora H, RJ

Uma tentativa de fuga mal sucedida resultou num fato um tanto inusitado, na noite de domingo: Gimar de Lima Freitas, de 34 anos, foi para o xilindró usando uma fralda geriátrica após ser preso por policiais e passar por cuidados médicos.

De acordo com relatos, os militares, foram acionados para o bairro Barro Vermelho onde, segundo informações, estaria havendo uma troca de tiros entre homens suspeitos. Quando chegaram ao local indicado, os militares se depararam com Gimar portando um revólver. Ele percebeu a presença dos policiais e correu para a sua casa, na Rua Paraíso, sendo perseguido. Para tentar se livrar do flagrante, Gimar tentou pular o muro alto de uma outra residência, mas acabou caindo e se machucando, além de ser capturado.

A arma foi encontrada escondida no cesto de lixo do banheiro de sua casa.

- O que o pai disso espera no fim da vida?-

Homem sai de bar e morre atropelado - Gazeta de Limeira

Carlos Aparecido da Silva, 28 anos, morreu atropelado por um caminhão de entrega de bebida de uma marca de cerveja, depois de desequilibrar-se e cair da calçada e rolar para o asfalto.

Ele estaria embriagado, segundo testemunhas que estavam em um bar das proximidades. O atropelamento ocorreu defronte do movimentado Bar do Baixinho, localizado na Rua Júlia Adrien de Barros, Jardim Senador Vergueiro, pouco depois das 13h30. ( O Bar pagou Merchan pro Jornal!)

Segundo apurado no local pelos policiais militares Maróstica, Zapater e Marcelo Santos (Olha o nome dos puliça), o caminhão estava encostando, quando a vítima caiu, sem conseguir levantar-se a tempo. Atingido por uma das rodas traseiras na cabeça, morreu na hora. Seu corpo permaneceu no local até a chegada da Equipe de Perícias Criminalísticas para levantamento técnico. O motorista Antonio Marques Moraes deixou o local logo depois do ocorrido, temendo pela sua integridade física. Ele nem viu, estava quase parado, afirmou uma testemunha. Enquanto o corpo de Silva permanecia no local, pessoas que o acompanhavam em rodas de bebida confirmaram que ele estava embriagado, mal podendo ficar em pé.

- Eita ferro, parece até "Causo" que minha vó contava pra botar medo-


Mulher sofreu estupro após 53 facadas - Diário de Marília

"Sai laudo médico sobre crime da zona norte; violência sexual pode ter ocorrido após a morte da vítima" Laudo médico policial mostra que a ajudante geral Quitéria Tavares de Lira, 32, assassinada no início do mês dentro de casa com mais de 50 facadas, sofreu violência sexual e há indícios de que isso ocorreu após a morte.

O exame vai ser um dos fundamentos para pedido de prisão preventiva para deixar o pedreiro Daniel Garcia Leate, 19, que confessou o assassinato, preso até julgamento.

O pedreiro Daniel Leate, 19, conhecido como "Niel" ou "Prexeca" ( bem sugestivo o apelido mesmo), confessou na DIG (Delegacia de Investigações Gerais), que ele matou a mulher, mas nega ter mantido relações sexuais com ela ( Isso ae, matra mas não estrupa). Disse que bebeu muito antes, foi pedir dinheiro à vítima para comprar mais bebida e drogas e a matou porque ela começou a gritar. ( Viu no que dá ser Maria Escandalosa? aprendam meninas!!) .

O delegado Antônio Carlos da Silva contou que deve indiciar Lira por homicídio qualificado. Entre as qualificados estarão o fato de o autor ter agido de surpresa, quando a vítima estava tomando banho, e de forma cruel, uma vez que a ajudante apresentava 53 golpes de faca pelo corpo. ( Fã de psicose?)

O laudo, aponta, a partir da dilatação na genitália da vítima, que houve a conjunção carnal (que chic, a gente tem até que vestir o longo de festa pra ir ter uma "conjunção carnal") , e que isso, provavelmente, aconteceu com a vítima morta. Não foram encontrados vestígios de esperma. ( Ela era ruim de cama sabe?).

- Droga, isso que é egoísmo, nem pra estuprar enquanto ela tava viva, sacanagem, viu.)


Mulher esfaqueada por moeda de R$1 - A Tarde, BH

JUIZ DE FORA - Mesmo antes de sair oficialmente de circulação, a moeda de R$1 causou confusão no comércio de Juiz de Fora. Uma professora foi esfaqueada depois que seu filho tentou comprar um litro de leite com a moeda antiga. O comerciante recusou a moeda e feriu a professora e uma aposentada que tentou defendê-la. Na cidade, desde ontem, poucos estabelecimentos comerciais estão recebendo a moeda antiga.

- Tem pessoas que levam as coisas muito a sério, isso faz mal pra pele gente -

Crimes não devem ser engraçados, mas é inevitável.
VIVA O BRASIL, NÃO É MESMO MINHA GENTE?

segunda-feira, março 26, 2007

Brazilian dream?


Uma das maiores preocupações de jovens como eu, de classe média, sendo ela alta, média ou baixa, é ser incorporado no mercado de trabalho. Agora eu pergunto : "E se depois de formado e pós-formado, estiver desempregado?". Não há solução muito lógica para entender como diplomados chegam a concursarem postos públicos como garis para tentarem sobreviver na econômia pífia nacional. É tanto medo da nossa classe que muitos já alegam querer abandonar o país por falta de perspectivas.


Eu, por exemplo, sou um deles. Além de ter morado fora do país por uns tempos, penso que apesar de ter minha família aqui, ter minha vida por aqui, talvez isso não durará por muito tempo. Receio que o mercado nacional estará cada vez mais escasso e os salários cada vez mais ridículos. Qual a solução? Sair do país para ganhar a vida fora.


E muitos outros da minha idade e classe social dividem essa mesma opinião. Temos patriotismo fraco ou nulo, dependendo boa parte das vezes do dinheiro dos pais e cursando uma faculdade já anseando pra o seu diploma ser preparado. Muitos de nós começamos a nos acomodar e depois quando saímos da universidade, o mundo é cruel e emprego que é bom, não há.


Não pertencemos ao Brasil. E muitos de nós nem sequer temos essa responsabilidade social e econômica com esse país. Política? pfff... Nossas cabeças continuam tão vazias de política quanto há 20 anos atrás. Há uma inércia fortíssima e anestesia geral da classe média. Somos nós que damos esmola pro mendigo que na outra esquina ele pode nos assaltar.


"Verás que o filho teu não foge á luta" é um dos exertos do nosso hino nacional. Francamente, nem mesmo aqueles que tem educação de alto nível nesse país acredita que, se um dia tivermos uma guerra haverá realmente "voluntários" para lutar pela nossa pátria. Acho ainda mais difícil alguem com esse mesmo nível cultural compreender e aceitar com seriedade o que o nosso hino tem a dizer.


É, classe-médias como nós levamos o país sob nossas costas com impostos cada vez mais elevados e uma paciência budista. Mas talvez quem sabe, o Brasil não mais exista, a classe média estará toda fugida.

quarta-feira, março 21, 2007


CORTARAM MEU BARATO


Bom mesmo era na época do Lúcio Flávio, que bandido era um cara mau que deixava as meninas todas loucas de tesão, enquanto fingiam morrer de medo ou então quando madame satã navalhava todo mundo, era uma loucura. Nesses tempos, ser bandido no RJ tinha aquele glamour todo, mas cortaram nosso barato. (meu e de Rubens Fonseca que adoramos escrever sobre os delinqüentes)
Agora virou motivo de chacota, quando eu for ao Rio e me assaltarem, vou rir na cara do sujeito e perguntar: - Tua família tá ganhando quanto de ajuda de custo?
Sim, deu no jornal "O globo" - FAMILIA DE MENOR INFRATOR VAI RECEBER BOLSA - Marilene Felinto deve estar tendo orgasmos múltiplos clitorianos - é isso aí macacada, institucionalizaram a bandidagem.
Umas duas semanas atrás eu escrevi um post em que eu falava que nem todo mundo nasceu pra estudar, lembram? Pois bem, os governantes cariocas deram uma passada por lá e pensaram: - Mas não é que a Manga tá certa? é mesmo uma injustiça, tem menino que não gosta de estudar né e como NÃO EXISTE MAIS DITADURA NESSE PAÍS, as pessoas são livres para fazer o que querem, vamos dar um "bolsa-bandido-mirim" pras famílias dos meninos que preferem roubar. GENIAL, não existirá no mundo uma sociedade tão incrível quanto a nossa, não é mesmo minha gente?
Para aumentar a sem-graçeira podiam de uma vez liberar o jogo do bicho e as drogas, gente, eu sou ordinária, se legalizam a cocaína eu não compro nunca mais, só de pirraça!! e como Fells é uma personalidade muito influente na Brazilian society (Deixa a society saber disso...) ninguém mais vai comprar, vai falir o negócio.
Também podemos colocar uma placa assim na entrada do Brasil:
Porque será que os artistas Brasileiros não se unem e fazem uma pressão pra acabar com essa palhaçada? não venham me dizer que é pra preservar a imagem não. Porque naquela idiotice do plebiscito do desarmamento eles foram correndo, e jurando que estavam fazendo alguma coisa.
Tudo bem também, não precisamos deles, ando vendo ótimos exemplos de resistência por aí, em tem uma garota que anda jogando escorpiões nos presídios, esse é o método dela pra acabar com aqueles disque - seqüestro que são feitos de dentro da cadeia, é uma medida controversa, mas é uma atitude. E o primo dela que teve pneumonia e guardou os lencinhos de papel que usou pra depois jogar as bactérias perto da penitenciara, é uma providência inútil e irresponsável, mas...

segunda-feira, março 19, 2007

3 pontos


Uma afirmação

“É, você sabe que eu amo você”
“Se você me ama, demonstra”

Ele vai e escarra na boca do outro e manda engolir.

Uma negação

“Chega de tantos esquemas paralelos seus! Me diz, você usa drogas? Transa com alguém além de mim? Se sim, você toma os cuidados , né?”
“Ai chega! Pára de pegar no meu pé, se manca que eu não sou sua, e de ninguém!”

Ela vai e joga a aliança de compromisso na mesa onde jantam. 10 minutos depois estão tendo orgasmos múltiplos.

Uma interrogação


“Eu nunca soube que você tinha esse tipo de fetiche”
“Você nunca me perguntou até onde eu poderia chegar”
“Onde eu escondo nossa sex tape?”

Tudo menos debaixo da cama.


Foto retirada dos quadrinhos "Os malvados" .

quarta-feira, março 14, 2007

Não devia ter dito: - Deixa pra lá



Eu estou muito machucada, por causa de uma otária lá da escola, uma imbecil mesmo, usa até aquelas presilhas nojentas de plástico na cabeça. Como eu ia saber que o cara era namorado dela?
Me quebraram três dedos e a culpa é toda da minha mãe que foi inventar de me matricular naquele colégio de favelado, tenho certeza que, se fosse num lugar de gente isso não teria acontecido.
Essa menina é cismada comigo já faz uns sete meses, desde a vez em que ela viu a Magali se esfregando em mim no banheiro, as portas não tinham tranca nem nada, e ela abriu a porta.


Ah que abuso.


Eu já ia esfregar a cara dela na parede mas me segurei, Magali só disse: - Olha, a gente é jovem, a gente estava só brincando.
E ela disse: - Ok, eu sei como é.
E eu disse: Deixa pra lá, bem, estou indo embora, você vem?
Então fui pra casa com a Magali e me diverti pra caramba, mas não tinha engolido a garota.
Eu estudo num fim de mundo mesmo, meu coração só falta parar quando eu ando naqueles quarteirões. O cara aparecia quando eu estava voltando pra casa. e ele querendo sempre me dar carona, mas era eu ver o opala dele e começar a correr em ziguezague que nem uma retardada.
Um dia que eu aceitei a carona dele, ele é um homem bonito até, na verdade o que eu fazia era doce, era medo nada não. Ele ficava naquela conversinha comigo e coisa e tal e eu ficava olhando pras coxas dele, aí eu vi um pacotinho no meio das pernas dele: - Isso é cocaína? E já fui metendo a mão, mas nem estava tão interessada no pó, era mais uma desculpa pra pegar no pau dele. É, eu nunca tive muita classe mesmo. Me deu uma olhada e enfiou o pacote no bolso.
A essa altura já estávamos bem longe da minha casa, mas eu queria mesmo era rodar com o cara, e é claro que ele percebia isso muito bem porque eu o ficava apalpando, de repente minha mão bateu num metal que eu saquei rapidinho que era uma arma e ele ficou travadão.
Eu estava achando a pegação o maior barato só que ele começou a se encher e disse: Eu quero saber logo se você vai dar pra mim ou vai ficar nessa lenga-lenga. Levei um susto pelo cara ter falado isso na minha cara assim, quase do nada.
Mas não tive nem dúvida.
Cheguei em casa me sentindo, acreditando que ninguém nunca ia me negar nada só porque eu era bonitinha. Me achava mesmo o máximo naquele dia e é tudo bobagem, nunca soube seduzir ou manipular ninguém.

O que aconteceu foi logo no portão, na entrada da aula a tal garota estúpida chegou perto de mim e eu com o olhar de desprezo que me é intrínseco:
-Vadia, você dormiu com meu homem.
Ah, era demais pra mim, eu não podia nem querer acreditar e ri cruel na cara dela.
Não consegui nem falar qualquer coisa, um homem enorme saiu me arrastando pelo braço e me jogou em um carro fétido e tinham mais uns dois lá dentro.
Não ia aceitar aquilo quieta de jeito nenhum e comecei a chutar e berrar, o cara ficou sem paciência e levei um murro forte na boca que cortou meu lábio. O motorista, que acabou levando um chute meu na nuca deu a partida.
Depois de rodarmos uns dez minuto começaram a bater pra valer, uns socos na barriga e no rosto – o cara que tinha me dado o primeiro golpe puxou uma navalha e passou na minha bochecha, aí eu comecei a me debater mais e a navalha foi cortando minhas roupas, braços e coxas.
Me violentaram, aquele com a faca entrou por trás... doeu, as coisas começaram a ficar totalmente nebulosas, pararam o carro e caí na calçada.
Eu pensava tanto na minha mamãe, encostei a testa no asfalto e comecei a chorar, cada soluço fazia meu corpo doer mais.
Eu queria muito minha mamãe, eu não fazia idéia, não fazia idéia.


domingo, março 11, 2007

Uma rodada de suco pra galera


"Uma rodada de suco pra galera!

AEEEEEEEEEEEEEEEEEEE" (jargão retirado do programa televisivo "Malhação")


A classe média é a pior coisa que existe nesse mundo, onde ela passa, não nasce grama.Nela se vive de aparências, é onde a mãe manda a gente comer repolho no almoço porque faz bem... só nessa maldita classe. Nós vivemos de sonhos, passamos a vida acreditando que vamos ganhar um carro com 18 anos, que somos amados, que seremos sempre lindos e bronzeados, que nossos pais tem dinheiro e que nós somos o futuro do Brasil.


É onde ainda se pensa em religião, sexo após o casamento e relações heterossexuais são o caminho para uma vida digna profissional. Com alguns professores medíocres aqui, marxistas ali, descobrimos o que é viver numa sociedade que nos odeia, os ricos porque você não passa de cópia e os pobre te odeiam porque somos esnobes com tem um tênis bonitinho e uma camisa de uniforme branquinha. Se alguém animar fazer uma pesquisa onde ocorre o maior número de suicídios no Brasil, tenho certeza que vai dar média nas cabeças.. eita povo pra ser infeliz.


Minha mãe já sabia (notaram como eu falo de mamãe? ai, esse negócio de gostar de mãe é tão classe média...) que estamos todos falidos, ela me disse uma vez:


- Filha, você não pode engravidar porque nós somos a única classe que ainda tem que ter moral no Brasil!!!!


Quando eu dou um chilique consumista ela diz que eu tenho pose de princesa e acrescenta: "princesa do reino falido". Mulher esperta minha mãe.

Dizem por aí que a classe média vai quebrar e sumir, se isso acontecer o Brasil quebra junto, somos nós, que sustentamos esse lugar... Mas ninguém percebe, só os pobres tem reconhecimento. Ninguém vê que nós, os meninos do "mais de R$ 3.000 por mês", é que somos as verdadeiras crianças abandonadas.


Então, consolo pra gente, só na boca de fumo ou na lanchonte.


Aí, mais uma rodada de suco pra Galera.

AEEEEEEEEE


Escrito por Fells, contribuído por Luke.

quinta-feira, março 08, 2007

Eu não quero ser cidadã, quero passar no vestibular


A revista Veja, essa semana veio uma matéria interessantíssima listando os mitos da escola Brasileira, ou melhor quais são os MOTIVOS que nos achamos ser causadores do desastre escolar no país.
O item que mais me chamou a atenção explicava que “O professor preocupa-se mais formar um "cidadão consciente" do que transmitir conceitos básicos.”
KABOOM.
É verdade, na escola em que eu cursei o ensino primário até o lema era "Ser cidadão é estar em ação para um mundo melhor"
Isso é resquício da ditadura militar, melhor, dos opositores da ditadura militar, que achava que todo mundo tinha que ser engajado, politicamente informado
Esses opositores são hoje nossos professores.
Para isso eu vou ter que usar uma resposta bem mineira: Gente, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa!!
Estamos criando cidadãos na escola, sim.
Cidadãos burros, cidadãos que não passam no vestibular e que só fazem provar por A+B que o Brasil vai continuar atrasado. Vai ver que o país é para o que nasce.
SIM?
NÃO! nem isso, porque eles querem ensinar uma coisa prática num sistema ainda muito sisudo e acadêmico. Olha o tamanho do paradoxo que nos arrumaram, senhores.
Então não é cidadania que se ensina? não mesmo, são só noções de cidadania que servem para?
TOMAR PAU NO VESTIBULAR.
Não tem nem cidadão nem profissional.
Nesse embalo de escola ainda: Minha mãe é uma professora muito dedicada, a educação é a sua vida. Desde sempre eu escuto ela dizer que a educação não é para todo mundo, eu tinha verdadeiro pânico dessa idéia dela sabe? Porque eu tinha aquela mentalidade socialista terrível.
Mas, de repente eu percebi que ela estava certa, não é mesmo não, escola é só pra quem pode, pra quem quer.
A coisa mais ridícula que já inventaram no país foi a "bolsa-escola" o povo já tá ganhando educação (horrível, o.k.) gratuita e ainda nos vamos pagar pra eles estudarem?
O Brasil ajoelhado: - Pelo amor de Deus, estudem, aceitem a chance que eu estou dando a vocês.
Aí eles aceitam, e vão para escola e.... não aprendem nada, porque gente, existem pessoas que simplesmente não nasceram pra coisa.
Conheço várias.

Diogo Mainardi escreveu na sua coluna sobre isso certa feita:

"Quem argumentou que a gente perde tempo demais na escola foi Charles Murray, aquele da Curva do Sino. Num artigo recente, ele afirmou que 50% dos alunos possuem um QI menor do que 100. Isso significa que, por mais que se empenhem, jamais conseguirão aprender a ler um período mais elaborado, simplesmente porque lhes falta inteligência. Em vez de ensiná-los a ser maus médicos e maus engenheiros, portanto, é melhor ensiná-los a ser bons marceneiros e bons encanadores.
Pelos cálculos de Charles Murray, o ensino superior só faz sentido para quem tem um QI superior a 115. Isso corresponde a 15% do total de alunos. O resto de nós pode se arranjar perfeitamente sem se sacrificar na escola."

Olha, talvez vocês acham que eu sou uma elitista que só que manter o poder nas mãos da elite a qual eu pertenço, porque quem detém conhecimento detém poder blah blah blah. Mas não, eu quero discutir isso, porque a gente fica evitando conversar?

sábado, março 03, 2007

The worship idol




Em setembro de 2005, eu fui a uma apresentação de um conjunto de rock, num lugar qualquer por aqui e, na fila, veio falar comigo um garoto alto, ele vestia uma camiseta com uma gravura estampada que chamou minha atenção, o rapaz havia acabado de chegar de Nova Iorque e trazia para minha vida o pintor John John Jesse.
Em um primeiro momento eu achei o desenho na camiseta uma coisa muito "pesadelo infantil" porque as faces das pessoas pareciam bonecos, depois de umas três horas eu comecei a achar bacana. O menino escreveu o nome do pintor no meu maço de cigarros e insistiu para que eu lesse sobre ele.O show foi ótimo e depois não tinha ônibus e foi difícil achar um táxi. Eu me lembro que naquela semana havia tido um jogo entre Atlético e Cruzeiro e os ônibus estavam depredadissimos. Mas não comentarei nada sobre os vândalos agora.
Quando eu chegue em casa resolvi deixar o maço com o nome escrito perto do PC para lembrar de ver qual era a do pintor no dia seguinte. Quando acordei, um amigo tinha deixando me deixado uns filmes e eu adiei John John de novo.
De noite eu coloquei um disco da Angela Roro, ela canta "escândalo" muito lindo, não é? E finalmente dei uma olhada no Google sobre o rapaz, tinha umas duas página só, li uma entrevista que achei medíocre, certamente por culpa do entrevistador, que foi prático demais e não deixou um espaço para John falar qualquer coisa realmente interessante.Achei também que ele é da mesma geração artística de J.T Leroy (Meu personagem favorito). Consegui ver umas pinturas no site TINY FINE ART e aí sim eu achei fantástico, John John pinta pessoas que vivem a margem da sociedade ele diz que são "Os anjos e demônios que vivem na minha mente" (Cá entre nosostros, ô frasesinha clichê, não é mesmo minha gente?).
Its all Right, pensei eu. O rapaz entalha ferro.É interessante observar o gosto que ele tem por elementos nazistas, isso fica muito claro em algumas obras.A minha imagem preferida é bem assim, ele desenhou uma garota seminua com cabelo igual ao de Hitler, ao lado de uma seringa nazista e uma bandana com a suástica amarrada ao braço sobre um fundo vermelho sangue.
Mas não conseguimos encontrar por exemplo, órgão genitais expostos, talvez isso deva representar uma deslibidinação dos junkies ou a repressão sofrida pelas adolescentes católicas que ele retrata, mas isso já é uma interpretação minha.
Ele diz que seu trabalho é autobiográfico e mostra pessoas e situações vistas e vividas na sua infância como estudante em colégio de padres e a adolescência punk. Saído de casa aos 15 anos sem lenço, documento ou formação artística, fez posters, camisetas e folhetos promocionais para bandas. Na época seu estilo era desenhos monocromáticos, sempre muito detalhados, o que é um ponto muito atrativo no seu trabalho, a descoberta das cores só se deu depois de 2002.
Ele também é metido com música, tocou baixo em uma banda punk chamada Nausea, que dizem ser bem politizada e ter feito certo sucesso nos fim dos anos 80, eu nunca ouvi.Hoje ele está com 38 anos e toca guitarra na banda Morning Glory .
Não pesquisei a carreira musical dele, mas se alguém animar, me digam o que acharam. Ok, meninos?Fica a dica: Dêem uma olhada no "google images" para verem outras pinturas dele.Só mais uma coisa: Ele é um homem lindo não é?

Para ler a entrevista de John John Jesse http://www.hoardmag.com/jj/1.htm (em inglês)

quinta-feira, março 01, 2007

Quando se ama um cafageste!


Na terça-feira a noite eu assiti o filme "boca de ouro" com Jece Valadão e tive a confirmação da vontade que apareceu quando eu assistia o "filhos do carnaval" também com o Jece. Eu quero casar com bicheiro ( ou com o Valadão?)
Olha gente, eu to longe de ser o que se pode chamar de bom-exemplo e até mamãe sabe disso; esses dias ela veio me perguntar qual era o sonho da minha vida, eu disse: "É ser dona de puteiro e casar com bicheiro."
Ela riu né.
Eu gosto tanto desse tipo de coisas que até arrumei um namorado garoto de progama (ainda bem que ele não lê o tempos).
Mas o que eu to querendo falar é que resolvi fazer nesse fim de semana a mostra Jece valadão de cinema no quarto da Fells.
Eu escolhi os filmes:

"Águia na cabeça "(1984 )

"Eu matei Lúcio Flávio " (1979 )

"Nós, os canalhas " (1975 )

"A difícil vida fácil " (1972 )

"Memórias de um gigolô " (1970 ) (Dedicado ao Leo, hoje eu estou tããão cretininha né?)

"Mineirinho vivo ou morto " (1967)

"Boca de ouro " (1963 ) (vou rever)

Eu já contei a vocês que no dia que o Jece desencarnou eu tive uma sincope e tomei um porre de rum sozinha no quarto? Que vocês querem? eu sou viúva minha gente, o mundo não está aí cheio de viúvas de Elsvis Presley e James Dean? pois então, cada uma tem o galã que mereçe.
Eu devo agrader ao Rafael que conseguiu esses filmes para mim e que juntamente com meu tio Halim saciam meus caprichos cinematográficos... Eu dei mesmo muita sorte nessa vida.

terça-feira, fevereiro 27, 2007

A desgraça e a delicia



Como vocês eram aos 14 anos de idade? Eu era uma menina alta demais, meio gordinha, beiçuda e com uns oculos de 12 graus de miopia na cara... imaginem: Era uma belezaMas eu dei sorte na vida porque eu tinha minha turminha. Mas mesmo assim eu me achava as pior pessoa que Deus já colocou sobre a terra.Olha para você ver como adolescente é sequelado; ao invés de tentar me socializar mais com o pessoal na escola (os meninos principalmente) eu ficava lendo. Ou mas eu lia até os olhos saltarem das órbitas, era lindo.Hoje eu acho aquela epóca uma das mais felizes, alguns desses livros me marcaram a ponto de considerar as maiores emoções que eu já passei na VIDA:
Vida de droga - Walcyr Carraco
Esse é o MAIS, MAIS. Li esse livro no minimo umas sete vezes. É um tipo de Christiane F; tupiniquim, mas ao invés de heroina a personagem é viciada em crack Teve efeito contrário na minha vida, ao invés de me afastar do mundo das drogas.. me incentivou XD

Descance em paz, meu amor - Pedro Bandeira
Um grupo de amigos vai passar um fim de semana na serra e resolvem contar estórias de terro no meio da noite com chuva e depois também fazem aquele "jogo do copo" Inaugurou uma epoca que eu conversei muito com copos

O irmão que tu me deste - Carlos Heitor Cony
Trata de uma rivalidade brutal ente dois irmãos.Devia reler para entede-lo melhorMas eu fiquei totalmente stoned quando li.

Muito além da estrelas - Alváro Cardoso Gomes
Tenho medo desse livro até hoje.Eu o li na cadeira de balanço da minha mãe com as pernas ao sol.. lembro bemUm estória de amor impossivel de tão bonita... E assustadora.

E agora mãe?
É sobre gravidez, tem uma estória meio absurda, mas eu li quatro vezes. Acho que esse foi um dos livros que me incitaram nesse gosto que eu tenho por mocinhas sofredoras

A casa Sinistra
Contos de terror, pelo que me lembro, foi o primeiro a me mostrar que o monstro não está num cemitério abandonado na Europa, pode morar na casa da esquina.

Depois daquela Viajem - Valéria Piazza Polizzi
Esse livro é meio famoso (meio!?), esses dias até saiu numa revista semanal uma reportagem sobre os 25 anbos da AIDS e continha uma entrevista com a menina autora desse livro.
Foi meu primeiro contato com um tema sério tratado de forma gostosa... Se você ainda não leu, não sei como você é feliz

Tá louco! - Fernando Bonassi
O mundo dos meninos para mim... (Ah os meninos...), o menino do livro repete a frase "Tá louco" umas 100 vezes por capitulofica a dica: "Adolescencia é como comer um x-salada, meio incomodo no começo, mas muito gostosa no finalzinho

Redações perigosas
Esse eu li porque minha mãe me deu, é uma estória de mistério envolvendo un trem mais sacal da escola: A redação "Minhas férias".
O anjo da morte - Pedro Bandeira
Quem não fica louco com os Karas? que nunca quis estudar no colégio Elite?
Mas esse livro em especial, é pra mim o melhor da série porque tem nazismo no meio, genet fugindo de campo de concentração. tem aventura, tem o diabo a quatro nesse livro.

domingo, fevereiro 25, 2007

Assunto feminino



Acabei de acordar por causa do bendito alarme que dispara ás 5 da manhã. Eu costumava amar os começos de manhãs e tinha a mania, desde pequena, de acordar cedinho pra sentir o aroma da manhã e ver o sol nascer, assim como a vida na cidade, diante da minha varanda. Aquele aroma da manhã que mescla algo entre orvalho, chuva e café sempre me sensibilizou e talvez fosse um dos meus maiores prazeres durante o dia inteiro.

Ela vira pra mim, no outro lado da cama, e reclama que está com dor nas costas e me fala que sou a garota mais bonita que ela já viu em toda sua vida. É a primeira vez que me relaciono com uma garota, eu sempre preferi a companhia das garotas. Nós precisamos nos arrumar rápido pra ninguém da casa suspeitar que existe mais alguém dentro do quarto a não ser eu. Meus pais não a conhecem ainda. Talvez, no futuro, eu possa apresentá-los como minha melhor amiga mas isso eu tenho receio deles ficarem enfezando pela tatuagem no ombro dela e seu cabelo vermelho desbotado. Sabe como é, família tradicional que coloca seus filhos sufocados debaixo do braço.

Ela precisa voltar pra casa. Não necessariamente uma casa, mas um cortiço no centro da cidade. Não fosse sua colega com seus clientes, estaríamos mais a vontade na cama do quarto que ela divide lá com a outra garota. A gente faz o que pode.

Fecho a porta para ela e de longe jogamos beijinhos. Nesse momento minha mãe chega pela mesma porta e depara com a cena. Não sei o que a minha mãe pensou no momento, mas convidou-a para comer uns pães de queijo quentinhos direto da padaria que ela havia chegado no exato momento. Não sei o que deu em mim, nem na minha mãe, nem na minha querida, mas resolvi interpretar a cena com uma melhor naturalidade, apesar do que poderia vir a acontecer.

"Mãe, essa é...", "Eu já sei do que se trata... E não quero saber mais nada, então comam e depois se despeçam". No momento eu gelei com a resposta brusca vinda da minha mãe, até perdi a fome. Nós três perdemos a fome, aliás, e no mesmo momento todas se levantaram pra cuidar da vida.

Quando fechei a porta da casa, fui direto ao meu quarto pelo sentimento de culpa e vergonha pelo que tinha acontecido. Devia ter trancado a porta, mas não queria pensar em nada além de enterrar minha cabeça no travesseiro e ficar lá até aquilo tudo ser um mero pesadelo. De repente a porta se abre devagar e com um susto me levanto pra ver o que era. Minha mãe, encostada na porta me encarando, e depois disso eu voltei ao meu estado de vergonha.

Sua mão fria e nervosa encosta no meu ombro, tira o travesseiro da minha cabeça e pede com calma pra olhar nos seus olhos. Já estava esperando um grande sermão daquelas ladainhas preconceituosas que geralmente acontece quando gente mais velha reage a essa "nova" postura. Ela se desculpa por ter lido meu diário, quando estava jogado numa página proibida na minha cama e me pergunta se ela tá me tratando bem. Eu digo que sim, e mesmo com raiva pela invasão de privacidade, deixo que ela continue a falar. Ela pega pelos meus braços, me dá um abraço forte e diz "filha, filha, não vou deixar que você tenha a mesma infelicidade da qual tive, e ainda por cima te fiz infeliz por ter tirado seu pai da nossa casa. Me perdoe, mas ele não foi o amor da minha vida. Nenhum homem chegou na minha intimidade, apenas uma mulher. Espero que ela cuide de você como eu cuido de você".

Só lá

Quando eu tiver forças para ir para o Grande Sertão: Veredas.
alimento suficiente para os sete volumes de Cavalo de Tróia
coragem para memórias de um suicida
quando eu desembirrar de Machado
parar de chamar Sobrados e mucambos de soldados e mulambos
de ter medo do Boca do inferno
passar umas férias em Casa grande e senzala
Achar onde é que se sente tesão na História de O
Só quando eu me internar na Ala 18
É que vão me respeitar.

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Me desnorteia? ( De novo)

He
Ela é da roça e puta
puta de pés grandesputa de ombros largos
Nunca fomos amigas nem nada
E era óbvio que ela estava muito fodida
mas eu ficava feliz em ver que ela era imbecil
e eu era mais ainda.


Ne
Pedrinho é um moço bonito
mas pedrinho é mau também
ele come eu todo diaprimeiro meu calcanhar e depois o meu umbigo

Ar
Paulo Queria montar uma banda em Paris
Ah, aquilo ficou um espetáculo
A banda foi boa uns três dias
depois acabou rapidamente.

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Filha, me desnorteia

FILHA, ME DESNORTEIA?
(Dois escritos dessa minha nova brincadeira)

# Tetra
Desde criança
que a gente não quer nada
e no dia mais bacana da vida
só queria morrer bem rapidinho.

#Pi
- Vamos dar uma volta?
pra um assalto arrojado
é entrar pela janela e fazer o que tem vontade
Ganhar 27 xelins e comprar comida pra uma semana
e com uma fuga audaciosa.
- Já até vi; vou ficar bolado e de navalha no bolso.

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Enquanto esperam...


Eu queria me referir ao tanto de paranóias que certas pessoas sentem quando estão perto de mim. É incrível que depois de vários acontecidos na minha vida, quem é vivo, aparece. E apareceu mesmo, querendo por tudo, me fazer sentir menos ou pior do que já quis, porém, todas as vezes o acusador se frustra, o monstro se assume e a verdade que não é plena, entra em evidência.

Já tive vários vícios, larguei de alguns, mas o de tentar entender as relações humanas ainda me persiste na mente como algo que eu deva aprender a doutrina do bem estar psicológico. De repente você se vê um dia com um amigo, depois aparece com 3, 4, 10 e ás vezes anda sozinho na rua à noite. O ser humano é, sem dúvida, um ser solitário, e em algum lugar desses me disseram que cada um de nós, indivíduos, nasceremos sós e morreremos sós também.

Enquanto isso eu aproveito o tempo precioso da minha estadia por esse ambiente e interajo com os outros passantes dessa vida que parece nunca terminar. É, ás vezes, tarde, ás vezes cedo, continuar a longa jornada ou expirá-la por causa de segundos, terceiros e quase sempre por si próprio.

Mas a alegria da vida está por aí, e com ela você se vê, muitas vezes, acompanhado. Posso bem dizer que no momento de vida em que passo estou muito bem acompanhado e munido de amigos imprescindíveis. Sabe quando você se sente confortável com a vida que leva, porque você tem um amor profundo que é recíproco, amores de amigos e auto confiança? Talvez isso seja uma das definições do que é alegria, ou em maior extensão, da felicidade. Espero eu que esse sentimento não se extenda apenas á mim, mas que possa representar alguma razão pra continuar pra várias outras pessoas, especialmente as que eu tenho afeto. Até mesmo aos meus desafetos.

Aos meus desafetos, já passou toda a raiva, angústia e sentimento de injustiça que eu sentia por vocês. Espero que também encontrem algum certo tipo de felicidade na vida e parem de se maltratar, como muitos que eu conheci fazem, através de apelações, sentimentalismos e falta de amor próprio. Não tem nada de clichê em ainda conseguir enxergar as coisas pelo copo metade cheio. E Amem, amem muito, amem o que façam pelo bem e amem os outros sem pedir nada em troca. Talvez um sorriso aqui ou ali, um abraço... Não existe coisa melhor que acordar um dia desses com leveza, equilíbrio... Nada melhor que ser alguém importante para outro alguém. Nada melhor que amar.

sábado, fevereiro 03, 2007

Uma chuva




Naquela tarde chuvosa não se ouvia mais que os ponteiros de um velho relógio que ainda dava seus últimos suspiros naquela biblioteca fria e vasta. De um lado da poltrona maior, num gesto melancólico e ilusionário, o filósofo tomava mais um gole daquele amargo e ácido whisky enquanto mais uma vez dava uma lida naquela coluna de crítica literária lançada naquela mesma tarde.
Era como de costume, críticas ácidas e exageradas as que aquele popular jornal apresentava. Seu crítico era um aspirante jornalista que delicadamente ditava por meio de suas dedicadas difamações, o melhor para ser lido, visto ou aproveitado.
O filósofo então, alcançou seus óculos e mais uma vez releu todo aquele texto infame relacionado ao que havia por tanto trabalhado. Era realmente algo desrespeitoso a á sua condição de especialista em filosofia, além de também servir de desprezo público por seu trabalho em território nacional, já que este país, preferia ainda mais algumas claques isoladas para se divertir, com suas piadas de baixo cunho irônico e intelectual.
Pelas frestas da janela já poderia se sentir o fim da chuva, assim como o período vespertino. As poucas estrelas já começavam a dar seu brilho naquele céu interrompido de metrópole e as atividades humanas já estavam se modificando gradualmente. Pensou em contactar alguns poucos amigos que ainda lhe restava, para tentar recuperar o que lhe restava de boêmia e costumes etílicos. Assim que se virou da poltrona para discar os números, uma grande náusea se abateu nele.
Esta náusea, então, causou-lhe uma forte sonolência e aumentou ainda mais seu estado melancólico. Agora não mais dispunha de qualquer tipo de vontade ou desejo de se ver fora desse contexto, senão abdicar suas resistências.
Acordou na tarde seguinte sentindo muita sede e talvez uma vaga pena por si. Sabia que aquilo era mais um dia a ser seguido nos padrões “Carpe Diem” mas não se sentia apto de algum modo a encarar a realidade, vendo-se assim como o mesmo inseto protagonista de um romance Kafkiano. Era demais para alguém como ele acreditar que depois de tanta dedicação e empenho para a universalização de sua obra, houvesse a decaída, mais especificamente, rejeição.
Mas se lembrou que ainda o restavam alguns dias de vida para que prosseguisse de forma passiva e mecanizada a sua lição de vida. Havia agora concluído sua percepção sobre um mundo que antes o encarava com gosto, agora era mais um inimigo escrito assumidamente.
E caminhava pelas ruas que sempre caminhou, avistou pessoas as quais trabalhara, visitou suas memórias de ingenuidade assumida, e então expirou suas idéias até esperar o seu último dia.

quinta-feira, janeiro 25, 2007

Uma chance na vida

"Que horas ele dorme?"
"Por volta de

23 horas"
A sirene e as luzes atrás de nós, e a voz estrangulada
"porque maldição você tem que correr tanto Ligia?" Deus faz ela parar.
"Pra onde nos vamos rogéria? se eu parar vamos ser presas, voce quer ser bonequinha na prisão?"
"Ai, não. te joga aqui nessa rua, vai dar num estrada enorme.
Ligia não sabe virar, quase dando direto no poste, subo pelo colo dela e agarro o volante.
"Tira o pé desse acelerador droga, não dá pra controlar assim.
Nós tão juntas, não vendo os avisos de estrada em obras acabamos enfiando o carro em um buraco. agora não tem mais jeito, vamos ter que conversar com o

delegado
que conhecia todo mundo, a mim e ao Estéfano;
trêmulas eu e ela.
E o homem lá, sentado e nervoso
"Eu exijo, mando que vocês digam porque fugiram quando mandamos parar."
"Além de tudo essa daqui é menor" Soldado apontando para Ligia.
"Então isso é problema pro Juizado, mas olha, quer saber? bota as bonecas na chave essa noite mesmo, não vou resolver porra nenhuma hoje. Amanhã de manhã eu ligo para o padrasto dessa Rogéria."
eu curiosa, assustada.
"Vem cá,Ligia, você tá com medo?."
ela chora, as bochechas vermelhas, é claro que ela está com medo
vem cá que eu cuido de você e nós deitamos juntas na esteira imunda. Na boca, um silêncio gelado.
até de manhã, quando nos pegam na cela e metem numa sala quase vazia e ficamos esperando qualquer coisa acontecer, num banco de aço comendo um pão horrivel.
Estéfano chegou batendo os pés, espalmar a mão na minha cara - primeira providência
bater nas mesas e Xingar a delegacia inteira, até liberarem Ligia também.
e caso encerrado.
Ligia canta em todo o trajeto de volta, Éstefano vai guardando a irritação até chegar na

casa
Ele abriu a porta do carro
"SAI"
"Eu te odeio" ele riu debochado
"Não interessa,tu roubou; e agora vai pagar.
"Ele agarrou meu braço puxando pra fora do carro, sacudindo diante de si, meteu a mão entre meus cabelos e saiu arrastando.
Enquanto ele enfiava o joelho na minha barriga eu sentia o o velho ódio remexer.
"Você vê, que foi só essa garota vir pra cá, não faz três dias, olha a desgraça que essa puta me arruma."
e foi com lágrimas nos olhos que eu olhei pra ele e senti um molhado nos pés.
Estéfano cai devagar, com uma chave de fenda encravada na nuca.
"Deus meu"
"Eu não sou puta"
eu proucuro desesperada enteder qualquer coisa
cá, pra mim, me abraça.ela suja as mãos num sangue gelado e aperta as minhas
"E ele nem gemeu." e ela vem pra me abraçar.


Exerto do texto " A inocência não existe".